segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Quanto a gente mora em Buenos Aires tem tanta coisa pra fazer que até esquece do querido blog.
(Ótima desculpa)
Vamos lá! Vamos tentar manter atualizações interessantes por aqui...

domingo, 22 de março de 2009

Cinemania

Pra quem gosta de cinema, este mês Buenos Aires está naquele clima de "diversão garantida". Perdi a conta já dos festivais que rolaram e estão rolando na cidade.
No Malba, museu super cult daqui, teve cinema pornô, daqueles bem antigos que marcaram época, como o clássico "Garganta Profunda". No Patio Bullrich, o shopping mais chique de todos, uma coleção de deliciosos filminhos franceses como adianto das estréias que vão acontecer ao longo do ano. No Teatro San Martin da Avenida Corrientes, seleção de curtas da cineasta francesa Agnès Varda. No Instituto Italiano de Cultura, também no centro, clássicos italianos pra ver de grátis. Completando o combo cinéfilo, filmes japoneses num festival batizado de "Pinky Violence", que está acontecendo na Casa Brandon.

Ah, sem falar que nesta 4a feira próxima começa a 11a edição do "Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente (BAFICI), distribuído em várias salas de exibição por aí. Imperdível!

São muitas opções, muitos endereços. Deixo aqui o link direto pra página da/do Wipe, guia bem organizado dos principais acontecimentos porteños:

http://www.wipe.com.ar/agenda/index/categoria:3

segunda-feira, 16 de março de 2009

Buenos Aires QUERIDA


Acontece que tanto no espanhol (que é o idioma de Buenos Aires) quanto no português (que é o idioma deste blog), as coisas geralmente são apresentadas por um artigo feminino ou masculino, seja definido ou indefinido, singular ou plural.
No caso deste blog, por exemplo, o título é "Mi Buenos Aires querido", pedacinho da música tão famosamente cantada pelo tangueiro Carlos Gardel.
Mas eu pergunto: por que queridO? Não podia ser queridA?
Tentei um raciocínio mais ou menos lógico e ele apontou pro feminino, já que Buenos Aires é uma cidade e esta é uma palavra que usa o artigo "a".
Depois tentei pensar na cidade em si, nos lugares, nas suas pessoas, na forma de viver os dias por aqui. E é difícil chegar a uma conclusão que não seja tendenciosa e, consequentemente, machista ou feminista.
Decidi que, ao menos pra mim, seria feminina. Pelo drama, pela elegância perdida e pela que ainda mantém, pelas incoerencias diárias, pelas praças que cada bairro tem e são como um círculo em meio a tantos quadrados.
É muito pessoal essa opinião, já sei. Mas assim são todas as opiniões, não é!?

sábado, 7 de março de 2009

Buenos Aires bizarro

Quando a gente acha que nada mais surpreende em Buenos Aires...

Fui passar 15 dias á em fevereiro. Sim, eu voltei pro Brasil, mas acho que nunca deixarei definitivamente Buenos Aires. Cada vez que posso, corro pra lá. E é impressionante como as coisas mudam em tão pouco tempo.

O que me chamou a atenção foram estas placas espalhadas por toda a cidade, uma campanha do governo municipal pelo uso de capacetes. Claro que eu apoio, mas é o jeito peculiar que só o porteño tem que chama a atenção para esta propaganda: começa bem doce e educado... e termina com uma ameaça.

Sim, Buenos Aires é bizarra.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Vacas de inverno

Múúúú!!! Os mamíferos estão à solta! Mas não estou falando dos que nos brindam o leite e a carne argentina. Refiro-me, na verdade, aos pequenos bebedores de leite. Argentininhos e argentininhas que invadem as ruas, praças e todos os meios de transporte da cidade nesta época do ano.
"Vacas" é uma abreviação cool pra "vacaciones", férias em espanhol. E se for de inverno são, quase necessariamente, férias escolares. No calendário geralmente ocupam a última semana de julho e a primeira de agosto, supostamente as mais frias. Mas, ao invés de ficarem no quentinho do lar, saem como formigas. Vestidos em suas "camperas" - casacos com muito recheio e um capuz - coloridas, os miniaturas dominam Buenos Aires.
Da provincia à capital, sao milhares de crianças com o incrível talento de fazerem os pais gastaram todo o seu dinheiro - e paciência - em poucos dias. Parece que é preciso seguir uma espécie de programação básica que inclua, no mínimo, um cinema, uma visita ao Zoo e uma à Rural (que é como o Riocentro daqui e sempre tem uma feira rolando). Sem contar na quantidade de Mc lanche feliz que é até completar a coleção do momento. "Kung fu Panda" tá bombando!
Acho que, pra quem vê de fora, o que mais chama a atenção em tudo isso é o instinto de reprodução do argentino. Porque tem uma hora que você não acredita que possa ter tanta criança numa só cidade, ainda mais sendo capital. E cada mãe carrega uma média de 3: um de mão dada, um no carrinho e outro na barriga que é pra já ir garantindo a presença nas férias do ano que vem. Muita fertilidade!!!
Não sei qual pode ser a explicação porque se tem uma coisa que o povo faz aqui é assistir televisão! Talvez sejam os tais "bons ares". Vá saber! Por via das dúvidas, aqui vai o conselho: se você é aquele típico brasileiro que vem passar o feriadão aqui mas quer levar de lembrança apenas uma caixa de alfajores, não bobeie: use camisinha!

sábado, 26 de julho de 2008

Paraíso literário


Uma das coisas que mais chama a atenção -e que mais amo- em Buenos Aires são suas livrarias. Só na Corrientes existem mais livrarias que em toda a cidade do Rio de Janeiro, dizem. E eu não duvido.

Mas não é só o fato de ter muitos lugares vendendo livros, mas da qualidade desses locais e de seus produtos. Aqui encontramos de tudo, livros esgotados no Brasil já encontrei vários, clássicos da literatura universal não à preço de banana, mais barato ainda! A crise sobe os preços dos alimentos, mas a alma de quem vive nessa cidade está sempre muito bem alimentada.

Isso porque na Argentina bens culturais não tem imposto. Ou seja, você compra cds, filmes e livros por um preço acessível à quase toda a população.

Uma das minhas atividades preferidas é visitar livrarias. Porque além de todas as vantagens que já citei, aqui podemos folhear e ler os livros sem que os vendedores nos pressionem e digam que temos que comprá-los. E muitas dessas livrarias possuem cafés, onde podemos sentar e aproveitar ainda mais o prazer da leitura.

Essa semana com visita em casa fomos ao clássico dos clássicos, a livraria El Ateneo da Avenida Santa Fé. O lugar é um antigo teatro que virou uma das livrarias mais belas e charmosas do mundo. Não dá para visitar Buenos Aires sem perder algumas horas aí, ente livros e cds.

Mas mesmo assim ainda sou daquelas pentelhas que prefere os lugares apetadinhos e pequenos das livrarias sem a pompa do Ateneo. Mas isso não significa que não fique encantada cada vez que passo por ali e entro, ficando pelo menos 2h admirando tanta literatura junta. Como diria Jorge Luis Borges:

Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria

terça-feira, 8 de julho de 2008

Sociedade macabra

Acho que todos sabem da fascinação que os argentinos tem com a morte, mais especificamente com os mortos. Existem várias histórias sobre roubo de corpos, ou o fato do Cemitério da Recoleta ser ponto turístico. Claro, não podemos esquecer o "seqüestro" do corpo da Evita e o roubo das mãos do Perón. Excelente tema para um tango.

Agora novamente o macabro volta a ser notícia nos jornais por aqui: fecharam o Jardim Botânico, entre outras razões, porque encontraram restos humanos PELOS JARDINS. E pior, os funcionários que fizeram as denúncias disseram que isso acontece há anos.

Acho que não existe limites pra loucura (só pelos mortos?) na Argentina.